Gizele Barankevicz concluiu mestrado na Esalq e testou tempero em Piracicaba (Foto: Leon Botão/G1)
Um estudo realizado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), campus da Universidade de São Paulo (
USP) em
Piracicaba
(SP), identificou uma ação antidepressiva e antioxidante no açafrão, pó
obtido a partir da raiz da cúrcuma, utilizado como tempero e na
confecção de remédios. O resultado foi constatado em testes feitos com
ratos pela nutricionista Gizele Barankevicz, de 23 anos, aluna do
programa de pós-graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos.
Pesquisadora da Esalq identificou propriedade
antidepressiva no açafrão (Foto: Leon Botão/G1)
A pesquisa da nutricionista buscou explorar as funções medicinais da
cúrcuma e identificou que o alimento é promissor porque se mostrou capaz
de reduzir sintomas semelhantes ao da depressão humana em animais
submetidos aos experimentos. O estudo mostrou também, segundo a Gizele, o
valor das pesquisas que buscam auxiliar na redução e prevenção do risco
de desenvolver doenças como a depressão. A jovem concluiu o mestrado na
última segunda-feira (19).
Para obter os resultados, ela aplicou um teste de natação forçada em
ratos. Os animais foram colocados em um tanque de acrílico com formato
cilíndrico com água. De acordo com a pesquisadora, a reação deles à
situação revelou a capacidade antidepressiva do açafrão que havia sido
aplicado. O estudo foi feito em parceria com a Faculdade de Odontologia
de Piracicaba (FOP), que pertence à Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp).
Gizele explicou que os ratos que não receberam a aplicação da cúrcuma
se mostraram inertes à situação, ficando imóveis no tanque de água,
comportamento típico da depressão, sem tentar escapar do risco. Já os
ratos que receberam a substância tiveram redução nesse comportamento, já
que tentavam nadar e fugir da situação de risco, o que indicou, de
acordo com a nutricionista, que o açafrão preveniu o comportamento
análogo à depressão humana.
Segundo a pesquisadora, existem diversas aplicações da curcumina,
composto presente na cúrcuma, como remédio, mas o objetivo dela é
diferente. "A intenção é usar a substância na alimentação diária e, no
caso do açafrão, além de temperar e colorir a comida, trazer benefícios à
saúde, como a prevenção da depressão", afirmou.
Gizele pretende dar continuidade aos estudos com a cúrcuma no
doutorado. "Ainda existem muitos testes para fazer antes de chegar à
aplicação em humanos. É preciso passar por várias espécies de animais
antes, encontrar as dosagens corretas para tentar comprovar a capacidade
antidepressiva em seres humanos", completou.
Açafrão tem substâncias que podem ajudar a combater a depressão, aponta estudo (Foto: Leon Botão/G1)
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